Élida Oss
Eles alegam que cansaram de esperar e após reuniões e alguns votos de confiança para as autoridades e a Petrobras, radicalizaram e fecharam os principais acessos para a região de Pontal do Ipiranga afirmando que o veto deixará de existir somente após a garantia de que a estrada será asfaltada.
Ao todo são 19 barreiras, sendo a principal na rodovia que é utilizada para quem quer ir ao Pontal do Ipiranga, cujo total de 54 quilômetros ainda conta com 25 de estrada de chão. Desde que vetaram a passagem de veículos, no último dia 27, só é permitido o vai e vem de veículos de moradores e de carros que fazem escoamento dos muitos produtos que movimentam a economia na região. Juntas, as comunidades de Pontal, Regência, Povoação, Degredo, Agrovila, Barra Seca e Urussuquara somam mais de 10 mil pessoas.Carlos Henriques Gomes, líder do movimento, exibiu para o ESNEWS notícias de jornais dando conta de que o asfalto chegaria. Ele contou que foram dados quatro votos de confiança para as partes envolvidas na obra e que três dias após o início do bloqueio foram procurados. O resultado foi a petição do quinto voto de confiança. ”Chega, não aceitamos mais, não seremos mais enganados. Só vamos liberar a estrada quando tivermos a garantia da obra. São 20 anos de sofrimento e descaso”, resumiu.E o aparato montado na barreira é respaldo para as palavras de Carlos. Até banheiros químicos foram montados na base que conta também com bebedouro, cozinha, área recreativa, churrasqueiras, e muitas barracas de camping. Revezamento – vestindo a camisa com dizeres de apologia ao movimento, os manifestantes se revezam entre si de forma que a barreira nunca fique sem quatro ou cinco deles para vetarem o acesso de quaisquer veículos que tenham logomarcas de empresas nas portas ou placas de outras cidades. Eles ficam ali, como sentinelas, dia e noite, ininterruptamente. “Alguns tentam inventar argumentos para poder passar, mas não aceitamos. Aqui só passa quem mora na região ou vai abastecer o comércio na região, mas mesmo assim, de forma limitada”, explica um sentinela.
Pretexto para passar – De nada adiantou o consultor comercial Jeová Souza Lima sair da Serra, na Grande Vitória, para resolver questões da vida profissional em Pontal do Ipiranga. Pelo o menos é a afirmativa de um dos homens que estava no movimento. “Ele não passa porque sabemos que está falando mentira”, explicou.O ESNEWS conversou com Jeová, cujo veículo que conduzia tinha a logomarca de uma empresa: “Eu quero visitar minha tia na Fazenda Pirajá”, disse ele.Outro homem que, segundo um sentinela, tem “cara de empresário”, conseguiu convencer os vigilantes da barreira e passou, mas não quis dar entrevista alegando estar “com muita pressa”.Por dia, conforme contabilidade dos sentinelas, mais de cem veículos são barrados no local.
Salão recreativo – Os manifestantes tentam fazer de tudo para passar o tempo, já que estão morando no local da barreira desde o último dia 27, quando a estrada foi fechada a partir das 2 horas da madrugada. Eles têm a disposição uma mesa de sinuca, baralhos, bingo, dominó e um telão para assistirem todas as reuniões que participaram com autoridades a fim de discutirem o asfaltamento da estrada. O local é iluminado graças a um gerador de energia elétrica cedido por um fazendeiro.
Alimentação – Comer do bom e do melhor é uma frase que retrata a vida dos manifestantes: eles receberam apoio de varejistas, fazendeiros e empresários para uma estrutura básica de uma cozinha industrial. Mulheres que também aderiram ao movimento revezam-se entre si para que o almoço, o jantar, o café da manhã e lanches sejam servidos rigorosamente.Não falta carne. Para se ter uma idéia, o líder do movimento, Carlos Henriques Gomes, disse que foram doados cinco bois abatidos e que outros quatorze estão na fila.Um bebedouro com água mineral geladinha fica a disposição dos manifestantes, sem falar em refrigerantes e água de coco. “Tudo é doação”, relata Carlos.
Depoimentos – Inconformado por ter lavado o carro em casa, no Pontal do Ipiranga, e visto o veículo todo empoeirado ao chegar ao local da barreira para fazer parte da manifestação, o aposentado Adalto José de Souza 64 anos, desabafou: “É um absurdo esse descaso para conosco. Tiram o ouro daqui, dão os royalties para a prefeitura e o Estado, enquanto nós ficamos comendo poeira”.Os senhores Arlindo Capelini, de 81 anos; Onervaldo Soprani, 62 e Carlos Helio Bernabé, 63, também estavam inconformados e disseram que estarão entre os manifestantes enquanto o movimento persistir.
Na Câmara Municipal – Na sessão da ultima segunda-feira, o vereador Claudiomir Avancini (PRB), o Claudinho do Pontal, falou sobre o protesto e foi aplaudido por alguns manifestantes que prestigiaram parte dos trabalhos do Legislativo. Ele também recebeu apoio dos vereadores Juca Gama e Baixinho Macaqueiro.Antes de falar sobre o protesto destacou que no entra e sai de governo municipal, a rede de esgoto acabou mesmo nas fossas: “Na Administração de 97 a 2004 implantou-se a rede de esgoto no Pontal e gastou-se milhões dos cofres públicos. Pena que não funcionou. Tivemos que depender mesmo das fossas e de caminhões para limpá-las. Aí veio a administração seguinte, que ignorou a continuidade da obra e em seguida veio o governo atual, que poderia muito bem acertar o erro que cometeu no passado. Mas aconteceu o contrário, pois até afundar o Forró Pontal, afundaram. Claudinho acompanha de perto o movimento dos moradores e comerciantes da região de Pontal do Ipiranga, e disse que também reivindica o beneficio por sofrer com a falta do asfalto.
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