Da Redação Experimentar drogas geralmente acontece da mesma forma. Uma pessoa oferece o entorpecente, alega que vai ser legal, que não vicia, que todo mundo faz, entre outros argumentos. No entanto, as consequências não são mencionadas.
A vontade do jovem de experimentar vem aliada à curiosidade de saber como é, dos efeitos que são provocados, das sensações que são relatadas. E os pais, familiares e responsáveis, como ficam? A maioria não sabe lidar com o assunto: prevenindo os filhos, reconhecendo os que usam e até como ajudar àqueles que já entraram nesse mundo obscuro. O delegado Jordano Bruno Leite, que atua na Delegacia de Tóxicos e Entorpecentes (Deten), ressalta a importância dos pais e familiares conversarem a respeito do assunto com os jovens. Segundo ele, as amizades também podem indicar se existe o envolvimento com drogas, pois, geralmente, os usuários costumam ir juntos para festas e eventos. “O usuário de drogas costuma agir de forma diferenciada. Os pais, principalmente, têm que estar atentos ao comportamento dos filhos, verificando constantemente se existem sinais da existência do envolvimento com os entorpecentes. Às vezes, a curiosidade é desenvolvida através da influência dos amigos, pela busca do prazer e modernismo”, explica o delegado. A promotora de vendas S.A.S., de 51 anos, é uma das pessoas que passa pelo drama de ter um parente envolvido com drogas. Mãe de dois e filhos e avó de uma criança de 13 anos, ela também se tornou uma das responsáveis pela sobrinha, de 21 anos, mãe de duas filhas - de 4 e 3 anos - e usuária de entorpecentes. A garota, órfã de pai e mãe e com várias passagens pela polícia, começou a se drogar por volta dos 14 anos. A promotora lamenta que, apesar de todos os esforços, a garota continuou a usar entorpecentes e a situação só foi piorando. | | Fotos Divulgação |  |  |
Campanha do Ministério da Saúde mostra os efeitos do consumo do crack pelos jovens “É uma tristeza tremenda passar por essa situação. Nós começamos a orientá-la assim que percebemos que estava se envolvendo com drogas e pessoas de más influências. Nós aconselhamos, conversamos e até construímos uma casinha para ela no nosso terreno para ela ficar mais perto. Só que ela vendeu e trocou vários móveis e objetos e foi se envolvendo mais e mais com drogas. Ela chegou a vender pacotes de fraldas da filha e a furtar o próprio irmão duas vezes”, diz.
S.A.S. revela que também começou a cuidar de uma das filhas da sobrinha, e ao se questionar sobre o que pôde ter acontecido para a garota ter entrado nesse caminho, ela enumera diversos fatores. “A mãe e o pai morreram cedo, o irmão foi assassinado e os conhecidos começaram a influenciá-la. Ela começou a ficar agressiva, cresceu e já não aceitava mais nossos conselhos. Acabou se envolvendo com traficantes, passou a dormir embaixo de um caminhão para se drogar, até que foi presa por tráfico de drogas”, pontua a promotora.
O delegado Jordano Bruno Leite frisa que a mudança de comportamento do jovem no ambiente social que frequenta também ajuda a revelar se realmente houve o contato com os entorpecentes. Ele enfatiza que o surgimento de agressividade, indiferença para os problemas familiares e pessoais, falta de motivação e de autoconfiança são características dos usuários.
Contudo, se o jovem já estiver envolvido ou dependente das drogas, o delegado Jordano Bruno Leite ressalta que a melhor maneira de ajudá-lo é conversar, ouvir mais e falar menos, mas de forma clara e contundente, informar dos riscos não só para a saúde, mas também para o futuro social e profissional. “O consumo de entorpecentes afasta os verdadeiros amigos, parentes, oportunidades de emprego, entre outras consequências”, explicou o delegado. Romero Mendonça/Secom |  | | É necessário advertir aos filhos sobre o risco de ser flagrado pela polícia consumindo drogas. |
O delegado ressalta que é necessário advertir aos filhos sobre o risco de ser flagrado pela polícia consumindo drogas, pois nestes casos será lavrado um procedimento criminal e que, certamente, criará empecilhos no futuro, no caso de uma aprovação em concurso público ou qualquer oportunidade profissional. “E se os pais verificaram que o filho deixou de ser apenas um usuário e se transformou em um dependente químico, o ideal é procurar um tratamento clínico especializado o mais rápido possível”, finalizou Jordano Bruno Leite. Como reconhecer um usuário de drogas Abaixo, alguns ‘sintomas’ causados por entorpecentes: Maconha: Olhos vermelhos; Excitabilidade; Depressão; Sonolência; Aumento de apetite (doces principalmente); Alucinações; Distúrbios na percepção do tempo e do espaço; Raciocínio lento. Importante observar: Odor de relva queimada no local, presença de vegetal cinza esverdeado triturado com pequenas sementes lisas, restos de cigarros feitos a mão, dedos manchados e odor nas roupas. Muitas vezes o usuário de maconha não faz uso de cigarros, porém passa a andar portando isqueiro ou caixa de fósforos, guardanapos ou seda para embrulhar cigarros. Cocaína: Dilatação da pupila; Excitação; Agressividade; Idéias delirantes com suspeita e paranóia de tudo e de todos; Palidez acentuada; Diminuição do sono; Cansaço. Importante observar: A presença de restos de um pó branco cristalino em meio aos pertences do jovem, septo nasal com pequenas hemorragias e ausência de pelos, objetos metálicos tipo caixa de rapé ou pequenos tubos metálicos usados para o consumo da droga. Crack: Aumento da pressão arterial; Aceleração dos batimentos cardíacos; Excitação; Maior aptidão física e mental; Dilatação das pupilas; Suor intenso; Tremores; Efeitos psicológicos como euforia, sensação de poder e aumento da autoestima.
Importante observar: Restos ou pequenas pedras de substância amarelada com forte odor químico, presença de queimaduras ou cor amarelada nas pontas dos dedos, agressividade, perda de peso, aparência física doentia e velha. Em razão do alto consumo da droga, o usuário geralmente apresenta graves problemas financeiros e costuma vender os objetos e utensílios domésticos. Drogas sintéticas (como o ácido LSD): Confusão mental; Alucinações; Dificuldades de raciocínio; Risos e choros em curto espaço de tempo, sem motivação aparente; Atitudes impulsivas e irracionais; Calafrios; Tremores; Linguagem incoerente; Pupila dilatada. Importante observar: Presença de pequenos comprimidos, cubos de açúcar com manchas, restos de cogumelo (com cheiro de esterco), pequenos frascos e selos com desenhos variados. Também é importante observar que os usuários dessas substâncias consomem muita água. Características dos usuários Usuário eventual ou experimental: È o curioso, que usa a droga pouquíssimas vezes induzidos por amigos ou movido pela desinformação e curiosidade. Normalmente não se fixam em nenhuma. Usuário ocasional ou recreativo: É aquele que usa drogas em ocasiões fixas: festas, situações em que precisa aumentar a produção no trabalho, reuniões para trocar idéias, encontros sexuais. Usuário habitual ou funcional: É aquele que está a um passo do vício e dependência. Começa a apresentar alterações no comportamento. Usuário dependente ou disfuncional: Possui um forte impulso psíquico que impede sua abstinência (ou não uso), dando-lhe um desconforto tal que o leva, fatalmente, a procurar a droga. Usuário de Abuso: É aquele que passa a se prejudicar e sentir as conseqüências de sua dependência. Por exemplo, passa a noite cheirando cocaína e perde o dia de trabalho, ou troca uma atividade da qual gostava como nadar ou visitar amigos, para ficar se drogando em casa. Usa de maneira compulsiva: enquanto houver, não para. Exemplos clássicos são os usuários dependentes de álcool e cocaína. Usuário Crônico: É aquele que adquiriu dependência física e psíquica, onde a busca da droga se faz por compulsão. No caso da maconha, o indivíduo fuma em média cinco cigarros por dia. Se o usuário fica sem usar os entorpecentes, começa a ter os comportamentos da “síndrome de abstinência”, tais como: náuseas, vômitos, tremores, entre outros. Apesar de perceber que a droga está lhe causando vários problemas, não para, e precisa de doses cada vez maiores. Fontes: Delegado Jordano Bruno Leite Fundação Cruz Azul: www.cruzazul.org.br
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